Desabafo

É em português que penso porque é em português que sou.

E há momentos em que nenhum outro sistema de palavras satisfaz o âmago. É aí que sinto isto, esta incerteza de ser capaz ou não de eliminar da minha mente o que outros pensam de mim.

“Os outros”. Parece uma necessidade biológica, esta de fazermos com que gostem de nós, seja lá como for, onde for, porque for… Por todos os motivos, menos o que deveria ser o correto: porque somos assim. Mas quando nos perdemos nesse esforço que fazer com que gostem do que somos, perdemo-nos também na roda viva que é limar arestas de personalidade, esconder partes que não queremos que conheçam, ser gentil até quando não apetece…

Parece uma peça de teatro sem fim. Mas hoje, cheguei ao fim. Novamente. Novamente, porque é um ciclo. Mas estou agora na fase em que quero saber o que EU penso de mim. Chega dos outros. Chega de opiniões não solicitadas sobre o que irá ou não resultar no que vivo, chega de não reciprocidade que atribuo sempre às minhas ações, chega de me medir pelo que os outros me fazem. Porque se fazem, não sou eu o problema. E se fazem, não sou eu (nem as inúmeras versões de mim que crio) a solução.

E olho-me ao espelho e reparo: não há maquilhagem.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s